Laboratório Daudt

Laboratório Daudt: primeira empresa farmacêutica do Brasil comemora 130 anos

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Com mais de um século de história, o Laboratório Daudt contribuiu para a evolução e o crescimento da indústria farmacêutica brasileira. Diversificou suas atividades, ampliou suas instalações e investiu em alta tecnologia. No entanto, um aspecto nunca mudou – o compromisso com a saúde dos brasileiros . Continuar lendo

Farmácia histórica corre o risco de fechar

Um país sem memória é um país sem história. E parte de nossa memória “pharmacêutica” jamais poderá passar à história: a Farmácia Oswaldo Cruz de Fortaleza corre o risco de fechar.

Fundada em 29 de maio de 1934, de propriedade da Hortêncio Mota & Cia, foi a pioneira com manipulação de medicamentos no Estado do Ceará.

A memória está enraizada através da arquitetura preservada e a exposição de objetos farmacêuticos antigos. A fachada da farmácia é a única que permanece intacta na Praça do Ferreira.

Em 1950, a empresa proprietária ficou com dificuldades financeiras e transferiu o controle da farmácia para outro boticário, Edgar de Paula. O novo proprietário nunca modificou nem a estrutura externa nem a interna da farmácia.

Agora, entretanto, um impasse pode colocar este patrimônio histórico em risco: O local é alugado e os proprietários não chegaram a acordo quanto aos reajustes.

A atual proprietária da farmácia, Fátima Ciarlini, informa que o estabelecimento já está na terceira geração da família. Ela lembra que o pai, Edgard Rodrigues, primeiro funcionário da farmácia. Só depois, viria a ser proprietário.

A farmácia já recebeu uma notificação extra-judicial para desocupar o prédio da Major Facundo, 576, Centro. “Além do valor histórico, a farmácia já é um ponto turístico de Fortaleza”, comenta o diretor-administrativoda farmácia.

O processo de tombamento do prédio está em andamento na Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), a pedido do memorialista e pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo. “Esse é um prédio muito importante para a cidade. É um estabelecimento tradicional, que se mantém com as mesmas características desde 1934”, pondera. E ele pede sensibilidade do juiz que for analisar uma possível ação de despejo.

Patrimônio

A coordenadora de Patrimônio Histórico Cultural da Secultfor, Clélia Monasterio, informa que o tombamento será votado pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Comphic) na primeira semana de dezembro e a tendência é pela aprovação.

“E, junto com o tombamento do imóvel, também entra o bem imaterial, que é a farmácia, com décadas de serviços para a população do município”. Porém, mesmo com o tombamento, a permanência da farmácia irá depender de um acordo entre os proprietários.

Será mesmo?

Recentemente em São Paulo, o Cine Belas Artes – tradicional cinema cultural da cidade – também fechou as portas por motivos semelhantes. Uma das esperanças dos cinéfilos e proprietários do cinema era o tombamento do prédio. Entretanto, a Secretaria da Cultura da Prefeitura de São Paulo explicou que o tombamento, no entanto, refere-se apenas à estrutura física do edifício e não interfere no uso do imóvel, que fica a critério do proprietário.

Assim, se algo semelhante acontecer com a Farmácia Oswaldo Cruz, uma importante história da Farmácia Brasileira estará perdida. Talvez, para sempre.

A Farmácia e a História

Um verdadeiro tesouro: é assim que podemos definir o texto “A Farmácia e a História: Uma introdução à História da Farmácia, da Farmacologia e da Terapêutica”, de José Pedro de Souza Dias.

Escrito como apoio para as aulas da disciplina de Sociologia e História da Farmácia da Universidade de Lisboa, o texto discorre sobre a história da farmácia e da medicina (mas principalmente da farmácia) desde a antiguidade até o mundo atual.

O texto inicia com uma descrição da farmácia ancestral, nas civilizações pré-urbanas, na medicina clássica grega, a medicina no início da era cristã, a farmácia dos países árabes, a farmácia no oriente-cristão, no renascentismo, no século XVIII e até o século XX.

Apesar de parte do texto se referir à história da farmácia portuguesa, continua tendo grande valor para o estudo e a compreensão da profissão farmacêutica no Brasil e no mundo.

Não deixe de conferir este excelente trabalho, baixando o arquivo em PDF. Para baixar, é só clicar aqui.

O que significa Rx?

Neste artigo vamos tentar responder a uma pergunta que sempre nos é feita. O que significa o símbolo da farmácia e da moderna prescrição, Rx?

Presente sempre no topo das prescrições, antecedendo a formulação, este símbolo tem várias explicações quanto ao seu significado.

A explicação mais simples – mas não a mais romântica – é que Rx é uma abreviação para a palavra latina recipere ou recipe, que significa “faça uso de”.

Antes dos medicamentos industrializados, os apotecários (também conhecidos com doutores), podiam vender prescrever uma formulação. Eles podiam misturar os diversos componentes para obter um medicamento ou remédio.

Nos Estados Unidos, penas no início do século XIX é que ocorreu a diferenciação entre os apotecários, originando e os farmacêuticos e os médicos, tal qual os conhecemos.

Na Europa, por exemplo, esta distinção já existia desde o século XIV, quando Frederico III separou oficialmente a farmácia da medicina.

De acordo com a XIX Edição do Pharmaceutical Handbook, Rx significa “fiat mistura”, ou seja, preparar a mistura, manipular a mistura. Em algumas prescrições o Rx inicial é substituído pelo F.S.A (Fiat Secumdum Artem), ou faça-se segundo a arte. Continuar lendo

O Olho de Horus

O Olho de Hórus foi um dos amuletos mais comuns do antigo Egito. Assemelha-se a uma cabeça de falcão estilizada com seu olho. O deus Hórus é o deus do sol e do céu, estando associado com a regeneração, saúde e prosperidade. Também foi associado ao ocultismo e exoterismo. Este olho também recebe o nome de “udjat” ou “utchat, o que significa “olho sonoro”.

Segundo a mitologia, Hórus era filho de Osíris e Isis, também era chamado de “Hórus, que legisla com os dois olhos”. Seu olho direito representava o sol e o olho esquerdo representava a lua. De acordo com a lenda, Hórus perdeu seu olho esquerdo durante um combate com seu tio malévolo, Seth, enquanto vingava a morte de seu pai. Seth arrancou o olho de Hórus, mas perdeu o compate porque o conselho dos deuses considerou Hórus vitorioso. O olho foi recolocado pelos poderes mágicos do deus Thoth. Hórus então ofereceu o olho a Osíris, que o fez renascer.

Como amuleto, o Olho de Hórus pode ser encontrado em três diferentes variedades: só o olho esquerdo, só o olho direito ou ambos. O olho é construido em frações múltiplas de 1/64 avos, que fazia parte da mágica de Thoth.

O Olho de Hórus é representado como um olho humano, caracterizado pelo estilo egípicio típico, que lembra a cabeça de um falcão.
O atual símbolo das farmácias e das prescrições, Rx, é derivado das três partes que compõem Olho de Hórus.

No antigo egito, o olho era usado durante os funerais, como um amuleto de proteção contra o mal e para garantir o renascimento na nova vida, decorando múmias, sarcófagos e tumbas. O Livro da Morte instrui que os olhos utilizados em amuletos devem ser feitos de uma pedra denominada “Lapis Lazuli” ou uma pedra denominada mak, encrustradas em ouro.

Como adorno, pode ser feito de ouro, prata, lapis, madeira, porcelana ou cornalina. Nest caso, o olho serve para garantir segurança, proteção saúde e dar a quem utiliza sabedoria e prosperidade. Também é denominado “o olho que tudo vê”.

O Olho de Hórus e a Farmácia

Como dissemos, o Olho de Hórus está associado ao símbolo Rx, que representa a farmácia moderna. A figura ao lado compara os dois símbolos, e como se vê, são muito parecidos.

Mas, mais que isso, o Olho de Hórus é também uma espécie de régua, um instrumento de medida. Vamos tentar entender como:

Os antigos egípcios usavam um sistema de frações baseado em caracteres distintos, por exemplo, 1/2 era um símbolo, 3/4 era outro, etc, mas tinham uma regra geral.

Em particular, as frações do tipo 1/2^n (que seriam tipo 1/2, 1/4, 1/8, 1/16, 1/32…) tinham símbolos especiais, e, adivinham, a associação desses simbolos, do 1/2 até o 1/64 é o olho de Hórus. Por detrás disso está um conceito matemático denominado série infinita, que basicamente é: 1/2 + 1/4 + 1/8 + 1/16 + 1/32 … = 1

Não se sabe se os egípcios acreditavam que a série terminava no 1/64 (talvez não conseguissem  diferenciar frações menores que essa, a idéia seria que todos juntos formariam a unidade.

É interessante também que cada fração representaria um sentido, ou seja, a visão, o olfato, o paladar, o tato, a audição, e o sexto sentido, que seria o pensamento. A figura mostra, no olho de Hórus, quais são os símbolos de cada fração:

1/2 representa o olfato
1/4 representa a visão
1/8 representa o pensamento, que seria a sobrancelha.
1/16 representa a audição
1/32 representa o paladar, uma linguinha bem comprida.
1/64 representa o tato, que seriam as duas perninhasem contato com o mundo embaixo.

Não é incrível?

Por todos estes significados, o Olho de Hórus mantém íntima relação com as Ciências Farmacêuticas. Afinal, o símbolo Rx deriva diretamente do Olho de Hórus.

Leite de Magnésia Philips (1931)

Sem dúvida este é um campeão. Já desde 1931 o Leite de Magnésia Philips estava presente nas farmácias brasileiras.

Já naquela época a concorrência era grande. Tanto que o anúncio chamava à atenção os consumidores: “O leite de magnesia verdadeiro, creado e preparado por Phillips apresentou-se e continuará a apresentar-se sob a forma líquida. A magnesia em pó, em comprimidos ou em pastilhas é de solução difficil, e costuma provocar irritações, ou accumular-se nos intestinos”.

Quem diria, hoje em dia temos não só o próprio Leite de Magnésia em comprimidos, na forma líquida em diversos sabores e mais uma dezena de similares….

Crédito da foto: http://www.seculovinte.com.br (clique para ampliar)

Jacaré para arrolhar frascos

Jacaré para Arrolhar Frascos

Jacaré para Arrolhar Frascos

Antigamente, acreditava-se que as doenças eram causadas (pelo menos em parte) pelos espíritos do mal, que se aproximavam dos doentes. Como a farmácia é o local onde vão pessoas doentes em busca de cura, existia a superstição de que os maus espíritos acompanhavam os doentes.

Para afugentá-los, era comum as farmácias possuirem animais empalhados dependurados nas paredes ou no teto. Vários nomes de farmácias tradicionais derivam deste fato (a Botica Ao Veado d´Ouro, por exemplo, até hoje mantém uma cabeça de veado empalhado em sua decoração original).

Da mesma forma, para garantir que os maus espíritos não entrassem nos frascos de medicamentos, os farmacêuticos costumavam usar alicates especiais, com formato de animais, para apertar as rolhas que seriam colocadas nos frascos. Acreditavam os antigos boticários, que o uso deste tipo de animais impedia a entrada de possíveis espíritos do mal que estivessem por perto.

A foto apresentada é de um alicate em formato de jacaré. As patas dianteiras eram fixadas à mesa de trabalho, para facilitar a compressão da rolha e o fechamento do frasco.

Peça: Acervo da Farmácia Drogamérica – São Paulo – SP
Crédito da Foto: Prof. Paludetti