Farmácia histórica corre o risco de fechar

Um país sem memória é um país sem história. E parte de nossa memória “pharmacêutica” jamais poderá passar à história: a Farmácia Oswaldo Cruz de Fortaleza corre o risco de fechar.

Fundada em 29 de maio de 1934, de propriedade da Hortêncio Mota & Cia, foi a pioneira com manipulação de medicamentos no Estado do Ceará.

A memória está enraizada através da arquitetura preservada e a exposição de objetos farmacêuticos antigos. A fachada da farmácia é a única que permanece intacta na Praça do Ferreira.

Em 1950, a empresa proprietária ficou com dificuldades financeiras e transferiu o controle da farmácia para outro boticário, Edgar de Paula. O novo proprietário nunca modificou nem a estrutura externa nem a interna da farmácia.

Agora, entretanto, um impasse pode colocar este patrimônio histórico em risco: O local é alugado e os proprietários não chegaram a acordo quanto aos reajustes.

A atual proprietária da farmácia, Fátima Ciarlini, informa que o estabelecimento já está na terceira geração da família. Ela lembra que o pai, Edgard Rodrigues, primeiro funcionário da farmácia. Só depois, viria a ser proprietário.

A farmácia já recebeu uma notificação extra-judicial para desocupar o prédio da Major Facundo, 576, Centro. “Além do valor histórico, a farmácia já é um ponto turístico de Fortaleza”, comenta o diretor-administrativoda farmácia.

O processo de tombamento do prédio está em andamento na Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), a pedido do memorialista e pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo. “Esse é um prédio muito importante para a cidade. É um estabelecimento tradicional, que se mantém com as mesmas características desde 1934”, pondera. E ele pede sensibilidade do juiz que for analisar uma possível ação de despejo.

Patrimônio

A coordenadora de Patrimônio Histórico Cultural da Secultfor, Clélia Monasterio, informa que o tombamento será votado pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Comphic) na primeira semana de dezembro e a tendência é pela aprovação.

“E, junto com o tombamento do imóvel, também entra o bem imaterial, que é a farmácia, com décadas de serviços para a população do município”. Porém, mesmo com o tombamento, a permanência da farmácia irá depender de um acordo entre os proprietários.

Será mesmo?

Recentemente em São Paulo, o Cine Belas Artes – tradicional cinema cultural da cidade – também fechou as portas por motivos semelhantes. Uma das esperanças dos cinéfilos e proprietários do cinema era o tombamento do prédio. Entretanto, a Secretaria da Cultura da Prefeitura de São Paulo explicou que o tombamento, no entanto, refere-se apenas à estrutura física do edifício e não interfere no uso do imóvel, que fica a critério do proprietário.

Assim, se algo semelhante acontecer com a Farmácia Oswaldo Cruz, uma importante história da Farmácia Brasileira estará perdida. Talvez, para sempre.

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